Queer Post

Não tinha um título pior para esse post. O assunto é gay mesmo: “Design”.

Estes dias, conversando com a amiga Marcia Ceschini, vi em um de seus blogs (You Too) a nova embalagem da Coca Cola Light, que agora é Coca Cola Light Plus, com minerais e o escambau. A embalagem me chamou atenção, daquelas de energético, fininha, visual bem clean, nada espalhafatoso como era a antiga embalagem preta, prata, branca e vermelha.

Durante a conversa citei mais um exemplo de embalagem de bebida que me chamou atenção, novamente mais um produto da Coca Cola, o refrigerante Aquarius Fresh (aquele do comercial da Mariazinha). Até pouco tempo sua embalagem era parecida com de água mineral, esverdeada, toda feia e confusa. Agora é toda clean, simétrica e com um visual super moderninho. Me fez até comprar um. Voltando de um cliente de Divinópolis para BH, 2 horas de estrada, antes de partir da cidade da moda, parei em uma loja de conveniência de um posto de abastecimento e a garrafa no frezer me chamou atenção, Abacaxi com hortelã, hum, peguei, paguei e vim bebendo na estrada. ECA! Ruim pacas quando esquenta e descobri que o refrigerante é de maça e limão, de abacaxi e hortelã só o sabor artificialmente idêntico a Abacaxi com hortelã (sobre o sabor estas são as palavras do site do fabricante). Mas mesmo assim fui seduzido pela embalagem no momento da compra.

Eu não ligava muito para esse tipo de coisa não, até morar em Brasília com meu amigo Souza e este ter me influenciado. Este animal do Souza deixou uma garrafa long neck de alumínio da Heineken como decoração de sua mesa por meses. E eu sempre perguntava que dia iríamos beber daquela cerveja e o cara só falava que gostava muito do design daquela garrafa e não iria abrir para não danificar a embalagem. Pouco tempo depois ele me convidou para beber da garrafa.

Apartir daquela influência comecei a dar mais atenção para o design de embalagens e apresentações de produtos. Cai na real que a apresentação conta muitos pontos e que faz a diferença na escolha ou fidelização seja em bebidas, comidas, projetos, apresentações, caixas, pacotes ou qualquer coisa que precise de uma boa apresentação.

Abordei este assunto porque sempre percebi que meus colegas de profissão, os Relações Públicas, nunca conseguiram uma integração e entendimento com o pessoal de publicidade e design. Acho que é por causa da formação. Lembro-me que a matéria de Estética foi nos primeiros períodos, aqueles que a gente fica no estacionamento fazendo vocês sabem o que. Comunicação Publicitária a professora nem sabia do que se tratava. Será um erro na formação desta profissão? Será mesmo que a tal comunicação integrada é balela ou muitos profissionais de RP não dão importância para isso?

Já vi muita empresa onde a comunicação integrada funciona muito bem, onde os profissionais das diversas áreas sabem trabalhar harmoniosamente. Tá certo que as faculdades não estão lá grandes coisas. Se dermos uma volta na internet e passearmos pelos blogs e sites de nossos colegas RP’s. Veremos uma falta de cuidado desgraçado na questão do design de suas ferramentas. Carnaval de cores, formas e até mesmo o design default da ferramenta.

Acho eu que embalagem não é só uma forma de transporte e acondicionamento de algum produto, mas uma questão de apresentação também, apresentação de qualquer coisa, até de idéias.

Vamos colegas de profissão, podem marretar e detonar!

Obs.: Papo mais viado que design e RP só se for sobre anal bleaching, happy farm, texturas de paredes ou cortinas e tapetes.

:: O som do momento: Para elevar o nível de testosterona depois deste post só mesmo Ultraje a Rigor com suas letras inteligentíssimas, música para macho, viril e varonil.

Ah este som, me lembra a minha adolescência e as festinhas americanas (meninos levam bebidas e meninas levam a comida – rsrsrsrs sem trocadilhos), tudo ao som da vitrolinha vermelha, Titãs, Ultrage, Hanoi  e outros. Era a festinhas desculpas para as ficadas.

Ah! Se eu fosse homem… (Acústico) – Ultrage a Rigor

 

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ÔÔÔÔ SEU MACONHEIIIIIIIRO!!!

Alguns dias atrás estavam eu voltando de não sei onde, com meu cunhado em meu carro, tenho uma KA e meu cunhado uns 130 quilos, os dois na frente do carro é uma piada, para passar as marchas tenho que pedir licença ao meu cunhado. Bem, perto aqui de casa, um camarada avançou no cruzamento sem olhar, brequei e soltei: “Ô seu fiodumaégua!!!” Meu cunhado com uma sabedoria que só ele tem, já que é cervejeiro e o rótulo de suas garrafas levam a imagem de um pirata, me solta a seguinte orientação: “Na próxima vez que for xingar alguém, xingue direito. Fiodumaégua não surte efeito mais neste caboclinhos de nossa sociedade. Use maconheiro.”

Fiquei com aquela orientação na cabeça e poucos dias depois tive a oportunidade de utilizar o novo xingamento aprendido. Um camarada no estacionamento de um supermercado não me vê aguardando e entra de uma só vez na vaga, putzzz! Solto eu:

“ÔÔÔÔ SEU MACONHEIIIIIIIRO!!!”

Caramba!!! O cara ficou nervoso demais, desceu do carro, tive que trancar as portas e subir os vidros, socou a janela, mandou que eu descesse e dizer aquilo de novo na cara dele, arranquei e desisti de fazer minhas compras.

Mas de onde veio esta raiva toda?

Como o assunto aqui é um pouco de comunicação, vou tentar abordar isso pela ótica desta ciência.

Uns 2 dias depois da quase surra e ainda um pouco amedrontado pela idéia de encontrar o tal “motorista maconheiro” novamente, baixei adquiri um documentário que aborda o assunto: Maconha. É ele: Grass. Narração de Woody Harrelson, conta sobre a maconha nos Estados Unidos, desde como era utilizada antes da proibição, como foi essa proibição e a tentativa durante todo o século XX de coibir o seu consumo. Quem puder assista. Se quiserem eu passo o link eu digo onde adquirir o filme.

Uma personalidade que me chamou a atenção no documentário foi Harry J. Anslinger. O PAI da proibição da maconha no mundo inteiro. O cara era o chefe da repreensão a maconha nos USA. Ficou 32 anos como delegadão proibidor da maconha, de 1930 até 1962, e se não bastasse, ainda foi pra ONU onde conseguiu proibir no mundo inteiro o tapa na pantera.

Anslinger durante os anos que comandava a luta contra a cannabis, utilizou de um a tudo, técnicas de comunicação, estratégias de marketing e tudo de relações públicas. No início culpou os mexicanos alegando que eram eles que traziam a maconha, depois o jazz e os negros pelo consumo desenfreado.

O czar da proibição da maconha utilizou de contatos em grandes jornais para pregar a proibição, historinhas na imprensa sobre mitos da droga, usou Elvis como garoto propaganda, (Elvis!!!), fez filmes educativos onde mostrava o tiozinho que vende hot-dogs na porta da escola traficando escondido dentro do pão, propagandas mostrando drogas dentro de balas e sorvetes para viciar crianças, o cara doidão enmaconhado batendo o carro, estuprando pessoas, cometendo crimes, a jovem enmaconhada caindo na orgia e etc.

E conseguiu.

Esse material todo correu o mundo na época de nossos pais. O “maconheiro” era o demônio, era a praga da sociedade moderna, acabava com famílias e tudo mais, fumava e se transformava em um monstro, tipo o “Pateta e o Senhor Volante“.

Acho que é por isso que o xingamento: “ÔÔÔÔ SEU MACONHEIIIIIIIRO!!!”, é tão ofensivo. O sentimento vem de tudo que foi bombardeado encima de nossa sociedade.

Harry J. Anslinger, tem que ser homenageado pela comunidade RP mundial pelo que fez e ensinou, ou será que ele fez isso tudo só porque era genro de um dos sócios da DuPont que na época criou o nylon e as cordas de nylon em uma época que as cordas de cânhamo dominavam o mercado???

Lembrem-se, ao utilizar do xingamento: “ÔÔÔÔ SEU MACONHEIIIIIIIRO!!!”, certifique-se que a via se encontra desobstruída, os vidros das janelas fechados, as portas travadas e nenhum carrinho de compra impedindo o arrancar do automóvel.

Observação: Não sou usuário de maconha, não fumo isso, apesar de ainda cair no conto do cookie batizado…


A música da vez é: Muggles de Louis Armstrong. Música de 1928, jazz, tocado por negro, com o título bem sugestivo relacionado ao assunto do post. Musiquinha para dar um tapa as 2hs da manhã.

 

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